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  Revista
Autoestima na passarela
por: Gustavo Carvalho*
08/07/2009

Projeto atende jovens de Niterói
Projeto atende jovens de Niterói
A passarela é bem simples: um pequeno quintal nos fundos da Associação de Moradores da comunidade Engenho do Mato, na Região Oceânica de Niterói. Não há o glamour, nem as grifes e, tampouco, as cifras milionárias dos grandes desfiles de moda, mas vai tentar explicar isso para as 30 meninas do projeto “Moda na Comunidade”. Elas não estão nem aí.

E, realmente, elas não têm muito com o que se importar, pois a proposta da atriz e coreógrafa Cláudia Barcelos, que ministra o curso de Modelo e Manequim na comunidade de Niterói, não é formar novas Giseles – embora algumas delas sustentem o desejo de se tornarem top models –, mas desenvolver a autoestima de crianças e jovens, de 6 a 18 anos.

Cláudia(C) ensina técnicas de passarela
Cláudia(C) ensina técnicas de passarela
Moradora de Itaipu, Cláudia disse que a idéia de trazer as técnicas das passarelas para a comunidade surgiu há cinco anos, quando passou por uma fase difícil em sua vida pessoal. “Foi nesse momento complicado que percebi que deveria me doar, ensinando a outras pessoas o que tive oportunidade de aprender”, contou. A retribuição veio com a dedicação e o carinho das alunas, que carregam para o dia-a-dia as lições aprendidas durante o curso.

As aulas de Andamento e Postura, Expressão Corporal, Automaquiagem e Autoprodução acabam refletindo de maneira positiva no cotidiano de cada uma dessas jovens. Como aconteceu com a estudante Tainara Sabino da Silva, de 14 anos. Moradora do Engenho do Mato, e uma das primeiras a se inscrever no curso, ela se orgulha não só de já ter feito seu primeiro desfile, mas, principalmente, por sentir-se mais bonita aos olhares dos outros. “A gente não aprende apenas a desfilar, mas a ter mais postura, coragem e andar com mais elegância”, disse, acrescentando que até o namorado aprovou a mudança.

Tainara foi uma das primeiras inscritas
Tainara foi uma das primeiras inscritas
Para Cláudia, esse é o principal objetivo do projeto: fazer com que essas meninas lancem um novo olhar sobre o mundo, que não tenham medo e não se envergonhem de se apresentar em público. “Elas chegam aqui com o cabelinho preso, com um olhar para baixo e uma postura de quem está se escondendo. Esse trabalho entra no sentido de mudar esse olhar, essa concepção de vida. Independente de se tornarem modelos ou não, a intenção é elevar a autoestima delas para que tenham sucesso em qualquer profissão e em seus relacionamentos”, explicou.

Mas a idéia de se tornar modelo profissional não é totalmente descartada. Muitas, segundo Cláudia, apresentam aptidões para os mais variados segmentos da moda: passarela, vídeo, fotografia. Tanto que a coreógrafa pretende estender o projeto para outras comunidades de Niterói, como Jacaré, Preventório, Grota e Cavalão, além de já ter marcado o primeiro desfile para a tradicional festa julina de Itaipu. Todas se mostram ansiosas com a chegada do evento, mas elas já entenderam bem o sentido do projeto, o que fica claro nas palavras da caçula da turma. “Hoje eu vim bem bonita porque sabia que vocês viriam fotografar”, encerrou a pequena Iasmin Silva Gomes, de 8 anos.

* Correspondente comunitário São Gonçalo




 
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